quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Professor Gonçalo - 2os. Anos.


Para cada uma das questões, sugeridas para a avaliação do bimestre passado, haviam algumas (várias) possibilidades de respostas pertinentes. Algumas mais completas, umas com mais precisão, outras aprofundadas etc. Portanto, o que está abaixo, são possibilidades, de forma que tentei apenas elencar ou chamar atenção para os temas e possibilidades de abordá-los.

1) ESTABELEÇA REFLEXÕES E CONEXÕES ENTRE CULTURA, CONSUMO E FELICIDADE.

Tudo, ou quase tudo em nosso mundo, quando não é da natureza, é do mundo da cultura, é cultural. Nossas crenças são, nossos hábitos também, mesmo os mais corriqueiros... Cultura é algo que se transmite e se compartilha, no sentido mais literal e original da palavra, lembramos do sentido de cultivar (sejam vegetais ou micróbios em um laboratório). Chegamos também a ler no texto do Tomazzi que há uma série de possibilidades de interpretação (valor, status, mercadoria, coisa que se adquire, que se acessa, que diferencia grupos de identidade, que caracteriza povos e sociedades... e por ai afora.

Para falarmos dos temas propostos acima, podemos adotar muitos caminhos, mas é impossível não colocarmos a questão da sociedade complexa, a sociedade dos indivíduos, a modernidade, o capital e o comércio, a indústria e a cultura, as massas etc. No entanto, como chegamos no ponto de nos sentirmos mesmo globalizados  (mesmo que haja muita diversidade e múltiplos focos de resistência ao sistema globalizante, ou mesmo apenas de uma existência de padrões muito diferentes de culturas e sociedades...)?

Somos, ao mesmo tempo, em várias situações, conectados a coisas de muito, muito longe, mas, entretanto, estamos extremamente presos a coisas que dizem respeito quase que exclusivamente à uma localidade menor, da casa, do bairro, da escola etc. Tudo isso é da cultura, a concepção de família, de religião, de tempo, de espaço e até mesmo de felicidade.

No nosso contexto relativamente mais amplo, percebemos uma certa dominação de ideologias e formas de sobreviver típicas de uma sociedade capitalista, que se industrializou, ou seja, que se fundamenta de forma bastante exagerada no indivíduo, na sua relativa exclusividade, de uma sociedade que tem uma necessidade de se sentir crescendo, se desenvolvendo no sentido material. Nesse sentido, temos uma série de exemplos de desdobramentos e de conseqüências possíveis, como mostra nos filmes:

- “A história das coisas”
- “Criança, a alma do negócio”

Esse mundo tem pautado na extrema capacidade de comunicação, a sua força de levar a uma certa padronização e MASSIFICAÇÃO (já que os veículos de comunicação em massa dominam as nossas formas de comunicação atuais). Para tanto, vende através de propagandas uma série de outras coisas, não apenas objetos, mas vendem desejos, sonhos, atitudes, comportamentos, sentimentos, valores etc. Vendem uma certa sensação de que a felicidade é alcançável através do consumo. Entretanto, nas leituras que fizemos, que foram propostas durante o bimestre, pudemos perceber que a FELICIDADE é extremamente relativa, depende da característica e da variedade dos grupos humanos. Há muitas formas de sermos felizes, e isso é algo grupal, cultural ou até, também, individual. Lembrar das críticas feitas por Zigmunt Bauman e seu texto “Vida para consumo – a transformação das pessoas em mercadorias”, sobre a diversidade e relatividade do sentimento de felicidade.

Nossa sociedade (sobretudo quem vive e aceita sem censura alguma o mundo capitalista) sobrevaloriza o ter, a posse, um mundo que passa a impressão e vende a idéia de que só é feliz quem tem, que pode ter. E, como realmente não consegue proporcionar (e seria naturalmente impossível satisfazer essa sociedade, diferentemente de outras que não são sociedades do desperdício) o mesmo volume de consumo desejado por todos. Ela é uma sociedade da felicidade, do consumismo e da frustração, e portanto, da própria infelicidade.

O QUE VOCÊ COMPREENDEU SOBRE OS ESTUDOS DE NORBERT ELIAS EM “WINSTON PARVA”?

Norbert Elias foi um sociólogo alemão, ele escreveu um Livro chamado “Estabelecidos e Outsiders. O título do livro nos dá uma idéia precisa de seu conteúdo. Trata-se de ver como o grupo “estabelecido” na aldeia havia mais tempo se relacionava com o grupo dos que chegaram mais tarde e eram vistos pelos antigos moradores do lugar como “outsiders”, isto é, como gente de fora e, por essa razão, sem direitos de plena cidadania na vida local.

O objetivo primeiro da investigação de Elias era o de estudar o jogo de poder que as relações cotidianas entre os dois grupos escondia. Os dois segmentos viviam às turras, cada um sentindo-se e julgando-se diferente do outro. O segmento “estabelecido” contava já três gerações de ascendentes e se julgava senhor de direitos especiais. Tinha dificuldades em aceitar o segundo grupo que chegara à região em uma fase recente da industrialização. Mesmo após um bom número de anos esse grupo continuava sendo visto e tratado pelos primeiros – os “da terra” – como sendo estrangeiro e intruso. Como resultado desse tipo de atitudes preconceituosas existiam no lugarejo desigualdades marcantes. Os dois pesquisadores sentiram logo que essas não eram explicáveis a partir dos indicadores usualmente vistos como elucidativos das relações em comunidades daquele nível sócio-econômico e cultural. Eles perceberam que ali estava um tema universal, e relacionaram à capacidade do grupo mais poderoso estigmatizar o outro, por conta do seu grau de coesão, que disse ter a ver com o grau de aceitação das regras do grupo  pelos seus integrantes.

Podemos pensar na nossa sociedade, no Brasil, e até mesmo nas nossas vidas, para refletirmos sobre situações que possam ser elucidadas por esse tema universal, ou seja por essa teoria que ficou bastante interessante para interpretarmos nossa sociedade.

QUAL A RELAÇÃO ENTRE CULTURA E LINGUAGEM?

A relação é total, uma não poderia existir sem a outra. É através da comunicação que nos tornamos seres humanos, que aprendemos o que é necessário (dependendo do “mundo” em que vivemos) para a nossa sobrevivência. As duas vão mudando de forma recíproca, uma interfere na outra diretamente. Linguagem e comunicação são simbólicos, assim como a cultura, ela é cheia de símbolos, signos e significados. Temos nossos mitos, crenças, e línguas, coisas que nos diferenciam uns dos outros.  Na cultura de massas, o principal meio de comunicação tem sido a televisão e, mais recentemente, o computador e a internet. Mas, o fato é que somos atingidos em grande escala, muitos ao mesmo temo, o que não quer dizer que todos tenham o mesmo entendimento, interpretação e crítica.

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