quinta-feira, 21 de junho de 2012

Texto sociologia - Prof. Gonçalo



ESSE TEXTO OBJETIVA CONCRETIZAR A DISCUSSÃO EM TORNO DAS POSSÍVEIS RELAÇÕES ENTRE CULTURA DE MASSAS, CONSUMO, CONSUMISMO E A IDEIA DE FELICIDADE.

Uma grande massa de indivíduos recebe uma mesma mensagem, mas isso não quer dizer que todos a compreendam da mesma forma (CUCHE, 2002, p. 158). A mensagem veiculada pelos meios de comunicação de massa dirige-se mesmo a grandes parcelas da população, porém seria ingênuo acreditar que todos compreendem a mesma mensagem de forma idêntica.

Quando um produto é lançado no mercado, isso não quer dizer que de imediato será consumido em larga escala e que todos, independentemente de sua idade, sexo ou grupo social ao qual pertençam o aceitarão sem restrições. Um bom exemplo é o do telefone. Hoje visto como equipamento essencial para a maioria das pessoas, quando surgiu no final do século XIX não foi tão bem-visto. Os discursos usados nas propagandas muitas vezes vendem muito mais do que objetos: vendem ideias, sentimentos e aspirações. Propagandas que, na maioria das vezes, inspiram o consumismo, e não o consumo.

O consumo como forma de satisfação de necessidades básicas faz parte da existência do homem enquanto ser cultural. O homem só existe enquanto ser cultural e é por intermédio da cultura que nos diferenciamos dos outros animais. O consumo faz parte de toda a vida social, pois os seres humanos precisam consumir para existir. Mas nas sociedades que passaram pelo processo de industrialização não há apenas o consumo, Nessas sociedades industrializadas, modernas, capitalistas etc., a apreensão dos conteúdos simbólicos da cultura não se faz apenas por intermédio do consumo, mas, principalmente, por meio do consumismo. Para alguns autores, o consumismo está mais relacionado com a criação de desejos crescentes, e não tanto com a satisfação de necessidades. Ou seja, muitas das propagandas, ao tentar vender seus produtos, não apelam para uma necessidade que o indivíduo tem e que aquele produto irá preencher ou satisfazer, mas sim a desejos que ele nem sabe que tem ou que muitas vezes não tem. Muitas vezes as propagandas usam frases como: “Esse produto trará uma satisfação que você não espera”, ou algo similar. Ou seja, ela vende não a satisfação de uma necessidade existente, mas a criação de uma nova necessidade que aquele produto irá suprir e ela nem sabia que isso seria possível. Não é raro que a propaganda, transmitida pelos meios de comunicação, trabalhe a ideia de que o produto pode mudar a vida da pessoa ou de que a mesma não tem consciência de como isso poderia ser bom para ela.

A incessante criação de desejos implica na contínua substituição dos objetos, uma vez que novas necessidades são criadas o tempo todo e assim nos baseamos no excesso e no desperdício (BAUMAN, 2008, p. 53). O volume de novidades rapidamente torna obsoletas levas e levas de produtos. Há então um excesso de novidades.

A partir destas situações colocadas, podemos fazer uma pertinente discussão sobre felicidade, consumismo e as propagandas. Afinal, as propagandas veiculadas pelos meios de comunicação de massa como a televisão, o cinema, o rádio e a internet procuram vender produtos que muitas vezes agradam pessoas dos mais diferentes lugares. Muitas vezes elas não vendem apenas produtos, mas também sentimentos, como a felicidade.

Por que ao falar sobre consumismo também é preciso discutir a questão da felicidade? Qual é a relação entre os dois?

Será que hoje estamos mais felizes do que já fomos? Será que hoje a felicidade é mais alcançada do que no passado? Afinal de contas, as propagandas vendem felicidade e outros sentimentos, e não só objetos e hoje somos cada vez mais bombardeados por propagandas.

Podemos perceber então a situação paradoxal que vivemos: o consumismo, para continuar existindo, trabalha com um paradoxo (paradoxo significa algo que é um contrassenso, um absurdo, disparate, ou parece uma contradição). Ao mesmo tempo em que vende a promessa de satisfação, precisa mostrar ou fazer o consumidor acreditar que está insatisfeito. Ou seja, a pessoa compra um produto e logo é levada a pensar que o outro produto é melhor e traria mais felicidade. “A sociedade de consumo prospera enquanto consegue tornar perpétua a não-satisfação de seus membros (e assim, em seus próprios termos, a infelicidade deles).” (BAUMAN, 2008, p. 64). Ou seja, estimula emoções consumistas, e não a razão.

Vivemos numa sociedade em que a felicidade passa pela posse, ou seja, pelo ter. As propagandas, no intuito de vender os objetos, passam-nos a ideia de que é feliz aquele que tem. Passam-nos a ideia de que é feliz aquele que tem propriedades. E, obviamente, para continuar prosperando, a sociedade capitalista tem a necessidade de estimular o consumo desenfreado e incessante.



Referência: Caderno do Professor, 2ª série, volume 2. (Adaptação)

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